20 ANOS DE CIDADE – De Odivelas rural de reis e rainha ao frenesim de grande cidade
"Ide vê-Ias, senhor…” terá dito D. Isabel ao rei D. Dinis, saindo-lhe ao caminho, no Lumiar, quando o seu esposo e senhor de Portugal se deslocava a sua casa no Vale das Flores. Esta é uma lenda e hipótese da origem do nome da Cidade de Odivelas, intimamente ligada ao rei que aqui mandou erigir um Mosteiro no qual ficou sepultado após a sua morte.
O Vale das Flores e as belas quintas outrora existentes neste território foram dando lugar a prédios em urbanizações nem sempre executadas de acordo com a harmonia local.
Mas da história de Portugal muita coisa ainda sobrevive: o Mosteiro de D. Dinis e S. Bernardo, o Memorial, o monumento ao Senhor Roubado, a Casa do Arcebispo são importantes testemunhos da importância histórica desta terra.
A doçaria conventual é cada vez mais apreciada, a par de uma gastronomia rica e variada, o turismo tem vindo desde há alguns anos a merecer particular atenção da administração local, despertando investigadores, artesãos, agentes económicos e culturais. O artesanato desponta com uma forte capacidade criativa, a que se junta uma crescente actividade cultural.
Cheias de 1967
Odivelas foi assim uma zona predominantemente rural, situada às portas de Lisboa, terra procurada para descanso e lazer dos reis, de rainhas e de altas personalidades. Regista entre 1940 e 1981, o maior crescimento populacional. Esta época ficou marcada pela vinda de famílias do interior para a capital, à procura de melhores condições de vida, muitas delas para trabalhar na construção da Ponte 25 de Abril, da Cidade Universitária e outras obras de vulto.
Conhecida como localidade dormitório, aos poucos foi deixando para trás essa denominação. O seu crescimento revelou-se a partir também das cheias de 1967, catástrofe que devasta quase todo o território tendo este ficado isolado das populações vizinhas. A partir daqui tomam-se medidas para que tal não voltasse a acontecer e vários episódios foram responsáveis para que Odivelas se tornasse no que é hoje, uma Freguesia que é Cidade e sede de Concelho. Uma Cidade cosmopolita, atractiva para empresas, para o comércio, para a população que passa a escolher Odivelas como residência, funcionando praticamente como interface, uma vez que com a chegada do Metro, em 2003, a qualidade das acessibilidades permitem estar perto de tudo em poucos minutos.
As acessibilidades nos dias de hoje, crescimento demográfico e proliferação de grandes agentes económicos
As acessibilidades nos dias de hoje, crescimento demográfico e proliferação de grandes agentes económicos
Em 1974/1975 sucedem-se as lutas que permitiram que a Carris se juntasse à Rodoviária para melhor servir a população odivelense, colocando assim Odivelas mais perto da capital.
Também por estas alturas quem tinha vontade de ir mais longe nos estudos, teria de embarcar na aventura de se deslocar a Lisboa para poder frequentar o ensino secundário e académico. Muitos desistiam devido ao tempo que levava ligar Odivelas ao estabelecimento de ensino frequentado. Quando as condições atmosféricas eram adversas desenrolava-se o caos. Mas a melhoria de acessibilidades e do parque escolar começa a mudar esse panorama.
Odivelas foi assim incluída no Município de Belém em 1852, tendo em 1885 passado para o Município dos Olivais e, em 1886, passou a integrar o Município de Loures, na data da criação daquele concelho.
Em 3 de Abril de 1964 é elevada à categoria de Vila, passando a ter a categoria de Cidade desde 10 de Agosto de 1990.
Em 19 de Novembro de 1998 é criado o concelho de Odivelas, onde a freguesia fica inserida.
Casa da Memória, onde funcionava a Junta de Freguesia. Actualmente é um espaço que se chama Memórias da Freguesia, onde aí se encontram vários pedaços de história
Desde os primórdios até ser considerada vila foi adquirindo os requisitos e infra-estruturas necessárias para a sua passagem de Vila a Cidade.
Sede do Concelho de Odivelas, a Freguesia de Odivelas, com uma área de 5,05 km2, faz fronteira com as freguesias da Ramada, de Famões, da Pontinha, da Póvoa de Santo Adrião, do Olival Basto e com o Concelho de Lisboa.
Em comparação com o Concelho de Loures, a Freguesia de Odivelas é maior do que qualquer uma das freguesias que compõem este concelho.
Mas para perceber melhor o boom populacional, segundo o Censo de 1940, existiam 3.696 habitantes. Em 1950 – 6.772, em 1960 – 27.423, subindo para 51.395 em 1970 e atingindo os 84.624 habitantes no Censo de 1981.
A criação das sete freguesias reduz o território da Freguesia de Odivelas, fazendo cair, naturalmente, o número de habitantes que segundo o Censo de 1991, era de 53.531. Actualmente e com dados mais recentes (Censos de 2001), existem 53.448 habitantes.
A Freguesia de Odivelas tem hoje características urbanas, registando uma das maiores densidades populacionais do Concelho (10 584 habitantes/km2).
É por toda esta história que faz parte de Odivelas que desde 1990 se comemora a sua elevação a Cidade, através das Festas da Cidade de Odivelas.
Esta iniciativa permite à população comemorar e participar num evento que acolhe as diversas áreas referidas anteriormente e que são essenciais para a história de uma Cidade.
Artesanato, doçaria, gastronomia, actividades económicas, espectáculos e diversões fazem a receita para umas Festas da Cidade dignas do nome desta localidade.
Esta iniciativa é organizada pela Junta de Freguesia de Odivelas que de 9 a 13 de Julho, no Parque Urbano do Silvado, permite aos artesãos exporem os seus trabalhos e trabalharem ao vivo no certame; permite às colectividades e associações da Freguesia tomarem conta dos stands de gastronomia com as suas iguarias; dá a oportunidade às empresas de divulgarem a sua actividade, tudo isto acompanhado com animações de rua no recinto, carrosséis (zona muito procurada visto ter deixado de existir a Feira Popular) e espectáculos de música.
A culminar com as Festas da Cidade vai decorrer também no dia 11 de Julho a segunda edição da Feira de Antiguidades e Velharias, uma feira que acontece todos os segundos Domingos de cada mês no Largo D. Dinis. A escolha deste local prende-se com as características emblemáticas no âmbito da história da freguesia, bem como a própria disposição do espaço e a envolvente urbana que o rodeia.
Desta forma, uma vez que na área do Concelho de Odivelas, e na Freguesia de Odivelas em particular, não existe nenhuma Feira de Antiguidade e Velharias, a Junta de Freguesia de Odivelas avançou com esta arrojada vontade no sentido de Odivelas ganhar uma maior dinâmica e passar a fazer parte da rota das Feiras de Antiguidades e Velharias que decorrem noutras localidades já tão conhecidas por acolherem tal projecto cultural.
O objectivo principal é também aumentar a oferta cultural da freguesia, nomeadamente através de iniciativas de animação no centro histórico, contribuindo para a sua reabilitação.
As Festas da Cidade de Odivelas encerram, posteriormente, com chave de ouro no dia 13 de Julho, data da comemoração dos 20 anos da elevação de Odivelas a Cidade, através da Sessão Solene e do concerto de Quim Barreiros ao início da noite.
Odivelas passará a ter assim animação à altura da sua história e das suas gentes e convidamo-lo a estar presente nesta festa.

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