Farmácia entrega medicamentos ao domicílio
A população da aldeia de Babe já não tem de ir de propósito à cidade para mandar aviar receitas. Desde Março que a junta de freguesia estabeleceu um acordo com uma farmácia, que admite poder vir a alargar o serviço a outras localidades.
A população de Babe, uma aldeia do concelho de Bragança, já não precisa de se deslocar à cidade para mandar aviar uma receita. A junta de freguesia estabeleceu um acordo com uma farmácia, que faz a entrega ao domicílio. Agora, sempre que a médica vai à aldeia para consultas, no mesmo dia a farmácia entrega os medicamentos em casa dos utentes, depois de a junta enviar as receitas por fax ou por e-mail.
"Uma vez por mês, a médica do centro de saúde vem aqui à aldeia, mas há pessoas que têm dificuldade em ir a Bragança. Acabam por pedir a um vizinho que traga ou vão de autocarro, até há quem alugue um táxi", explica o presidente da Junta de Freguesia de Babe. "A maior parte das pessoas é já muito idosa", salienta Alberto Pais, "por isso achámos que este serviço poderia ser feito", acrescenta. O serviço, pioneiro no concelho, está a funcionar desde Março.
As pessoas aplaudem a iniciativa, porque evita deslocações propositadas à cidade, a cerca de 15 quilómetros. "É muito bom para quem é velho como eu e agarrada a umas cajatas [muletas]", refere Purificação Fernandes. "Antes ia às consultas ao centro de saúde e trazia logo a medicação, mas agora não" acrescenta. Teresa Fernandes também concorda que "o melhor é trazê-los aqui. Dá mais trabalho à farmácia, mas para mim é melhor porque senão tinha de os mandar vir por alguém". Laura Santos poupa agora 20 euros nas deslocações que fazia de táxi a Bragança. "Já dá para pagar os medicamentos" diz.
A farmácia presta este serviço de forma gratuita. "Esta é a primeira aldeia em que fazemos a entrega ao domicílio, porque foi a primeira junta a contactar-nos", adianta Maria Vera Cruz, responsável do estabelecimento, salientando que, independentemente do número de receitas, "compensa sempre a deslocação, porque temos de colocar em primeiro lugar o acto social da farmácia". "Os utentes precisam de medicação e assim não têm de estar dependentes dos transportes públicos", acrescenta. A responsável admite que o serviço pode vir a ser alargado a outras freguesias do concelho de Bragança, caso solicitado pelas juntas.
O serviço ao domicílio tem de ser autorizado pelo Infarmed, o que obriga as farmácias a um registo próprio na Autoridade Nacional do Medicamento. Durante a prestação do serviço é obrigatória a presença de um técnico de farmácia, mas neste caso é mesmo um farmacêutico que se desloca à aldeia para esclarecer os utentes.

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