As
comemorações do 160.o aniversário da freguesia de Oliveirinha têm
início hoje, à noite, com uma sessão solene no auditório da Junta, onde
são esperadas as intervenções do seu presidente, Armando Vieira, e de
Élio Maia, chefe do Executivo da Câmara Municipal de Aveiro.
O ponto alto das comemorações poderá surpreender os habitantes e
visitantes quando, amanhã, se depararem com uma recriação histórica da
feira quinzenal – que habitualmente se realiza a 7 e 21 de cada mês –
no largo da freguesia, fazendo recuar até ao século XIX.
Diz a história que num processo de “(…) desmembramento da então
freguesia de Eixo, à qual as terras de Oliveirinha, Moita, Granja,
Valade e Quintãs estavam ligadas, culminou com a criação desta
freguesia por Decreto da Rainha D. Maria II, em 2 de Maio de 1849”.
Mas, a história de Oliveirinha, que hoje está em festa, já vem de pelo
menos quatro séculos antes.
Muito mudou desde que Jorge Silva e a sua mulher Isabel Soares passaram
a habitar em Oliveirinha, pelo ano de 1488. São estes os dois primeiros
habitantes conhecidos, e que receberam as terras da princesa Santa
Joana que, por sua vez, lhe foram doadas, três anos antes, pelo irmão o
Rei D. João II. Os dois fundaram o Morgadio de Oliveirinha e a sua
família foi proprietária de grande parte das terras até ao século
XVIII.
Durante 200 anos, nos séculos XVI e XVII, “houve uma explosão de
povoamento e desenvolvimento agrícola, tendo as terras em grande parte
sido sub-aforadas e muitas vendidas”.
Entretanto, este imóvel simbólico terminaria a sua influência entre
1860 e 1863, altura em que a legislação publicada acabou com os
Morgadios existentes no Reino. D. Francisco Joaquim de Castro Pereira
Corte-Real era o morgado da altura e foi o último titular. Seguindo a
história, foi presidente da Câmara Municipal de Aveiro, em 1857 e 1858.
Pessoas e economia
A Junta de Freguesia de Oliveirinha é presidida por Armando Vieira,
eleito pelo PSD, um destacado elemento do movimento organizado das
autarquias, liderando desde 2002 a Associação Nacional de Freguesias.
São marcas da existência, anteriores à criação da freguesia, a ocupação humana ou ainda a feira quinzenal.
Mas, o grande interesse demonstrado em primeiro lugar é a
potencialidade agrícola da zona. O interesse da ocupação das terras tem
uma justificação – na actividade económica é destacada “a excelência
dos solos com predominância da horticultura”.
Mas os tempos trouxeram outras actividades, como a metalomecânica,
alimentar, cerâmica e obras públicas. A freguesia até já foi apontada
para receber o novo hospital de Aveiro.
Na educação, a oferta inclui o primeiro, segundo e terceiro ciclos e
ensino recorrente. Também assegura a pré-escola, infra-estruturas
desportivas, saúde e serviços prestados na sede da Junta de Freguesia.