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Junta de freguesia lança rotas pedestres para divulgar ruralidade de Fátima

A Junta de Freguesia de Fátima vai lançar rotas pedestres para levar os turistas a conhecer a ruralidade local, disse o secretário da autarquia, José Poças das Neves.

“[A junta] pretende exactamente que o turista que vem de fora, em vez de se ligar só à parte religiosa, venha também descobrir um pouco do que é a Fátima rural”, afirmou, adiantando que as duas primeiras rotas - das fontes e dos pastores - deverão ser lançadas em Junho.

 

O autarca, também professor de História e investigador, lembrou que “Fátima começou exactamente pela ruralidade”, salientando que foi dos “campos” e das localidades à volta da Cova da Iria que “se criou aquilo que hoje em dia se chama a cidade de Fátima” devido ao “êxodo rural”.

 

Marcada pela agricultura de subsistência e pela pastorícia, o investigador declarou que a freguesia mudou a partir de 1917, com os acontecimentos na Cova da Iria, passando de “uma sociedade tipicamente de sobrevivência agrária para uma sociedade comercial”.

 

É a primeira que a Junta de Freguesia quer potenciar e colocar no roteiro dos muitos turistas que visitam a segunda, a cidade santuário, através de nomes como Ramila, Moitas Gaiola, Vale de Cavalos ou Casal Farto. Nestas e noutras aldeias da freguesia, o cinzento das pedras e o verde da vegetação moldam as paisagens, onde subsistem outros elementos que caracterizam a ruralidade da freguesia, parte da qual está integrada no maciço calcário estremenho e no Parque Natural das Serras de Aire e Candeeiros.

 

Por ali são visíveis, por exemplo, as cisternas - um dos aspectos mais significativos da região, marcada durante séculos pela escassez de água, e os muros em pedra, elemento que se mantém na construção e reconstrução de muitas casas.

 

“A ideia que há neste momento é relançar toda esta parte rural”, acrescentou José Poças das Neves, adiantando que a autarquia assiste, “com muita satisfação”, não apenas à recuperação da agricultura - em parte motivada pela crise - como de casas nas aldeias. Explicando que este é um “passado que cada vez mais vai ser presente”, o docente realçou que “isto é a verdadeira Fátima”.

 

“Aquilo que as pessoas conhecem é só 20 por cento ou seja a parte da cidade, a parte religiosa, e o que pretendemos desenvolver é exactamente tudo o resto”, acrescentou, considerando que pode haver complemento entre religião, natureza, lazer e património.

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