Livro “A breve história do Bairro Santos Nicolau” retrata vivências do povo setubalense
Da autoria de um despretensioso trabalhador da autarquia, a publicação “A breve história do Bairro Santos Nicolau” surge no ano em que o bairro completa o seu centenário. Após um ano de pesquisa, Augusto Martins mostra agora o trabalho final, com muitas imagens, relatando a história daquele bairro, mas também a da cidade de Setúbal, com destaque para as vivências dos pescadores e para a indústria conserveira.
No ano em que se assinalam os cem anos do Bairro Santos Nicolau, esta publicação pretende “avivar a memória dos mais idosos e dar a conhecer aos mais novos uma breve história deste bairro”, refere o autor, na introdução do livro.
De acordo com Augusto Martins, de 64 anos, o desafio de escrever “A breve história do Bairro Santos Nicolau” partiu do presidente da Junta de Freguesia de S. Sebastião, que, em parceria com a Caixa de Crédito Agrícola da Costa Azul, vai financiar a obra.
Durante um ano, o autor fez pesquisas na Internet, na Casa Bocage e no Museu do Trabalho, além de entrevistar alguns pescadores, que lhe transmitiram “algumas das suas experiências vividas ao serviço da actividade da pesca (…) muito importantes para dar um cunho mais real ao livro”, descreve.
Dado que a história do Bairro Santos Nicolau se confunde com a história de outros bairros e acontecimentos comuns a toda a cidade, Augusto Martins, que, curiosamente, reside no Bairro Salgado há 35 anos, optou por “alargar mais o leque”. Assim, com a colaboração de Francisco Pita Pereira, um antigo pescador, o escritor aborda, por exemplo, o desenvolvimento da indústria conserveira; a inauguração da luz eléctrica; a inauguração do caminho-de-ferro; o incêndio nos Paços do Concelho.
Imagens do arquivo Américo Ribeiro e fotos recentes, capturadas pelo próprio autor, ilustram a obra, onde fala também da quinzena que os pescadores passavam no mar; dos quartéis; da antiga fábrica de água da Bela Vista; dos filhos ilustres da cidade, como Bocage, Luísa Todi, entre outros. Augusto Martins dedica também capítulos ao património da cidade; às figuras típicas; às memórias dos pescadores e às suas embarcações.
Com um livro autobiográfico na bagagem – “Crónicas de um cidadão comum”, lançado há dois anos, este trabalhador do município espera que a nova publicação, a ser lançada brevemente, leve o público a querer saber mais sobre a sua história de vida, adquirindo, por oito euros, o anterior livro, que, segundo o autor, teve “pouca aceitação”.
Ainda sem data marcada, sabe-se apenas que o lançamento vai ocorrer durante a Festanima (até 22 de Agosto), na av. Belo Horizonte, no interior de um autocarro, cerca das 21 horas, adiantou Augusto Martins.
“Espero que suscite o interesse dos setubalenses”, expressa, revelando que já está a pensar escrever um novo livro sobre o passado, presente e futuro da cidade de Setúbal, no entanto, é necessário que haja patrocinadores.
Para Augusto Silva, “a escrita é uma paixão” e, apesar de ter pouco tempo disponível, dedica-se de corpo e alma, tendo inclusive frequentado a um curso de escrita, durante dois meses, em Lisboa, onde aprendeu um pouco mais sobre a arte de escrever livros, tendo inclusivé recebido dicas de escritores da nossa praça, como Rodrigo Guedes de Carvalho (pivot da SIC), Lídia Jorge (actriz), entre outros.
BIOGRAFIA Augusto Martins, natural de Torrão do Alentejo, Concelho de Alcácer do Sal, instalou-se em Setúbal em 1975, quando entrou para os quadros dos Estaleiros Navais de Setúbal, Setenave. Actualmente, e desde 1999, integra os quadros da Câmara Municipal de Setúbal, trabalhando nas oficinas de Poçoilos. Ao serviço do Exército Português, cumpriu três anos de serviço militar, dois dos quais em Angola em comissão de serviço, como 1.º cabo de engenharia, na região de Luanda. Frequentou o Liceu Paulo de Novais, Luanda, onde tirou o 1.º ciclo dos Liceus. Em Setúbal, foi aluno da Escola Secundária Sebastião da Gama e da Escola Secundária do Bocage. Frequentou também vários cursos de formação profissional.

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