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Vale da Amoreira assinalou o Dia Internacional da Mulher com o colóquio "Mulher, Exemplo Positivo"

A Junta de Freguesia do Vale da Amoreira, em parceria com a Associação de Condóminos e Moradores do Vale da Amoreira, Associação de Solidariedade Caboverdiana, Núcleo de Mulheres do Vale da Amoreira e Movimento Democrátrico de Mulheres, promoveu diversas actividades do Dia Internacional da Mulher, com destaque para o colóquio "Mulher, Exemplo Positivo", realizado no dia 13 de Março, na Escola Básica do 1.º Ciclo / Jardim-de-Infância N.º 2 do Vale da Amoreira.

A Caboverdiana Luísa Brito, do Núcleo de Mulheres do Vale da Amoreira dirigiu o debate, e explicou que o este grupo de mulheres se formou informalmente em 2005, devido à necessidade que as mulheres do Vale da Amoreira tinham em ter um espaço onde se pudessem encontrar e conversar, começaram com quatro pessoas e acabaram por reunir cerca de 60 mulheres de várias nacionalidades: caboverdianas, angolanas, moçambicanas, guineenses e portuguesas, de várias religiões e profissões. “O principal objectivo deste grupo era cuidar da imagem da mulher no nosso bairro e nos nossos países”, afirmou.

O Núcleo de Mulheres do Vale da Amoreira tem desenvolvido algumas actividades, nomeadamente, o primeiro Natal das crianças do Vale da Amoreira, as comemorações do Dia Internacional da Mulher e dos Dias das Mulheres Caboverdianas e Angolanas.

Neste Dia Internacional da Mulher, digo, “ser mulher é um privilégio” e lembrou a origem do dia 8 de Março, as lutas das mulheres, afirmando que, hoje em dia, ainda há mulheres que não têm consciência da reivindicação dos seus direitos. “Devemos olhar para a mulher com um ar positivo, pois há coisas boas relacionadas com a mulher”, afirmou.

Por sua vez, Manuela Pontes, vogal da Junta de Freguesia do Vale da Amoreira, manifestou o privilégio de ser mulher, de ter uma acção participativa na comunidade e na sociedade em geral. Enquanto Junta de Freguesia, associou-se de bom grado a esta parceria de organizações de mulheres para comemorar o Dia Internacional da Mulher, desejando que esta acção possa ser um ponto de partida para outras acções do mesmo tipo, para o envolvimento das mulheres da freguesia, com uma participação de cidadania, a reivindicação dos seus direitos e a tomada de consciência do que é o papel da mulher na sociedade.

Maria do Céu Branco, da Organização das Mulheres de Angola (OMA), lembrou que o 8 de Março está na origem das lutas da mulher pela sua emancipação, e recordou a rainha Ginga, mulher angolana, a primeira mulher soberana em África, que defendeu a liberdade do seu povo e foi uma das precursoras pela igualdade de direitos das mulheres. A oradora recordou também outras mulheres Deolinda Rodrigues, Teresa Afonso, Lucrécia Pain, Grácia de Santo, Irene Coin, símbolos da mulher angolana na luta pela libertação, justiça e bem-estar do povo de Angola, assim como tantas outras mulheres anónimas. Depois da independência e conquistada a paz em Angola, Maria do Céu destacou a participação da mulher angolana, o aumento da sua formação profissional e académica, com maior inserção na vida pública e no desenvolvimento e progresso do país.

A deputada do PCP, Paula Santos, falou das lutas das mulheres por melhores condições de vida, melhores salários, e por horários de trabalho dignos, que, não obstante toda a evolução nestes 100 anos, as questões que se põem nos dias de hoje “merecem a nossa reflexão”, observou. Em Portugal, os direitos da mulher foram consagrados com o 25 de Abril, tendo a mulher portuguesa contribuído para a revolução com as suas lutas e dado um importante contributo para as conquistas de Abril. A deputada lembrou que o PCP foi o primeiro partido a apresentar, na Assembleia da República, iniciativas legislativas para o reforço e consolidação dos direitos das mulheres, nomeadamente: o planeamento familiar; a educação sexual; a protecção da maternidade; a despenalização da interrupção voluntária da gravidez; a protecção às mulheres vítimas de violência; entre muitas outras. Porém, muito ainda há a fazer em prol das mulheres portuguesa, uma vez que o desemprego e a precariedade são maiores para as mulheres, os seus salários são mais baixos do que os dos homens, “estes e muitos outros são elementos que nos devem fazer reflectir”, disse.

Regina Marques, dirigente do Movimento Democrático de Mulheres, adiantou que Dia Internacional da Mulher é encarado como uma jornada de luta e de solidariedade, fruto da luta das mulheres e na sua origem está a devida homenagem às mulheres trabalhadoras. Na luta das mulheres há três aspectos distintos: “a luta pela igualdade, de direitos e oportunidades; a luta pelo desenvolvimento e o progresso; a luta pela paz”, acentuou. A oradora destacou o trabalho que as mulheres têm feito para terem maior representatividade nos órgãos de poder, nas freguesias, municípios e Assembleia da República, onde a participação da mulher é importante. As mulheres devem ter tempo e disponibilidade para a vida social e política, apesar de muitas arcarem com todas as tarefas domésticas e até trazererem trabalho do emprego para casa, as mulheres devem pensar em si para puderem participar e valorizar-se. “O que as mulheres devem ter é trabalho digno e decente, decente porque tem de ter peso e medida”, vincou.

Regina falou ainda de um mulher, técnica da NATO, que disse ser muito importante que as mulheres agora entrassem para a NATO, e aqui põe-se a questão – disse – ‘mulheres aonde e para quê’, a que título vamos nós mulheres querer e reivindicar a entrada numa instância tão agressiva e belicista, que está a instalar bases militares e nucleares, com armas letais, por todo o lado? “Nós queremos estar nas instituições do progresso e não de guerra, devemos estar atentas a certas ideias que, por vezes, circulam por aí”, advertiu.

A luta emancipadora da mulher – prosseguiu – é o sinal mais positivo para congregar esforços, com a multiculturalidade, a multireligiosidade, com tudo isto, mas com caminhos e orientações certas, aceitando as diferenças, mas identificando quem é o nosso agressor e sabendo o que queremos e que caminho queremos seguir. “Nós somos uma força social muito importante e poderemos levar por diante muitas acções de reivindicação, de afirmação, de solidariedade e de sentimento do reforço do movimento geral dos trabalhadores e da paz”, concluiu.

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